Caminhos tortos levam para o direito
Conheça a trajetória da leitora Juliana Machado. Após cursar Biologia ela se aventurou na área de Propriedade intelectual e descobriu sua verdadeira vocação
Alguns dias após o lançamento da primeira edição da Revista Young recebemos um e-mail muito simpático da leitora Juliana Pereira Machado, estudante do curso de Direito da Universidade Unip-Alphaville. E como nosso o intuito é justamente fazer amigos e apresentá-los para todo mundo, E por isso gostariamos de apresentar-la.
Juliana conta que recebeu a Revista Young na porta da faculdade e como estava em semana de provas acabou “jogando” na pasta de estudos e por lá ficou. “Dias depois, com as férias se aproximando, comecei a arrumar tudo para guardar e me deparei com o exemplar. Confesso que num primeiro momento achei que seria uma publicação mais voltada para jovens de 17-24 anos e, por isso, quase não dei oportunidade para a leitura”, relata. Mas ela “devorou” a revista com muito prazer. “Me identifiquei com as histórias, principalmente com a seção Mudança de direção. Tenho 27 anos e quando decidi fazer faculdade, há cerca de 10 anos, escolhi o curso de Biologia, na UNISA – Universidade de Santo Amaro. Na época, queria trabalhar com inseminação artificial, DNA, genoma. No entanto, no decorrer do curso fiz estágios em laboratório envolvendo DNA e radiação nuclear e percebi que não era a minha praia ficar dentro de um laboratório todos os dias” complementa.
Juliana afirma que é muito importante fazer estágios variados para descobrir o que realmente se gosta. “Estagiei no Parque Ibirapuera com plantas, lecionei em escolas públicas e trabalhei com consultoria ambiental. Todas áreas distintas e apaixonantes. Quando me formei, veio a grande decepção e a pergunta: ‘E agora, farei o quê? Não tenho emprego fixo’”, relembra.
A vida pós-faculdade
Juliana pediu conselhos para os amigos que já estavam no mercado de trabalho e tinham mais experiência para lidar com suas profissões. “Como cada um trabalhava em uma área diferente, pensei que conseguiria saber de modo geral como era o mercado de trabalho. Foi quando uma amiga me incentivou a fazer o curso de Direito para trabalhar em Direito Ambiental, matéria ainda muito nova e que os advogados, por não terem o conhecimento técnico necessário, acabam penando um pouco”, conta.
A descoberta
“Minha amiga disse que me arranjaria um estágio para que eu pudesse encarar mais 5 anos de faculdade. Fiz estágio em uma instituição financeira, em Contencioso Cível que tem por objeto a defesa em juízo da pessoa física ou jurídica na área do Direito Civil. A área não tem nada a ver com meio ambiente e direito ambiental, mas me deu uma base do que encararia pela frente, os prazos, postura e o tão falado ‘juridiquês’”, brinca.
Foi quando ela começou enviar currículos para outros escritórios na área cível, pois não achava que conseguiria juntar as duas faculdades cursadas.
“Para minha surpresa consegui uma vaga de estágio no Contencioso cível. Eles também tinham uma equipe técnica (biólogos, engenheiros de todas as áreas, farmacêuticos etc) pois trabalhavam com patentes. Não entendi num primeiro momento a relação entre Biologia, Direito e patentes. Depois de algumas entrevistas com pessoas que viram no meu currículo um diferencial e me incentivaram a entender mais sobre a área de proteção por patentes, percebi que poderia ser um desafio e tanto. E aqui estou eu: depois de um ano de estágio, sou associada da empresa como profissional da área de Biologia, há um ano e meio trabalho com a área de Propriedade Industrial e caminhando para o 9º semestre de Direito”, relata, feliz.
Como a Biologia e o Direito se completam
Juliana conta que a Propriedade Industrial é subdividida em algumas áreas (marcas, indicações geográficas, patentes etc) e, dentro da área de patentes, existem campos técnicos diferentes (mecânica, química, biologia, farmacêutica etc). “No que diz respeito ao meu trabalho, por ser bióloga com todo o respaldo técnico para atuar nesta área, e por ter conhecimentos em inglês leio as invenções dos clientes, em sua maioria internacionais, para avaliar se diante da Lei Propriedade Industrial Brasileira podem ser protegidos no Brasil, ajudando-os a conseguir a proteção para os seus inventos na área de Química, Cosmética, Farmacêutica e cultivares (sementes geneticamente modificadas). O contrário também ocorre com clientes nacionais que querem saber se seus inventos podem ser protegidos no Brasil e no exterior”, conta.
Segundo a jovem, o Direito auxilia-a a entender as leis que regem a Propriedade Industrial no país e no mundo, além da noção da necessidade dos prazos, formas técnicas de se reportar ao órgão competente a avaliar e conceder as patentes dos clientes, no caso o INPI – Instituto Nacional de Propriedade Industrial. “O tempo voou, descobri na prática áreas distintas para se trabalhar e acabei me apaixonando por outras que nem sabia que existiam. É assim o nosso mundo profissional. Temos de estar sempre antenados e preparados para, diante de um novo obstáculo, transformá-lo em uma oportunidade e alcançarmos novos horizontes”, destaca.
Juliana diz que se identificou com a revista, pois nossos artigos mostram como estudantes e profissionais podem contribuir sempre para os novos desafios que estão chegando. “A revista tem esta missão de ‘trocar figurinhas’ com aqueles que já passaram pela vida universitária. E quem sabe a minha história não ajude outros jovens a seguirem em frente quando as coisas não estiverem acontecendo da forma que gostariam? Para mim o que vale mesmo é nunca desistir”, finaliza.
Por Denise Camargo




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