Fonte da juventude
Mesmo já tendo passado dos “enta”, algumas personalidades não perderam a mão para se comunicar e influenciar a galera com seu estilo de vida
Pense em alguma banda de rock atual, como o Franz Ferdinand, Strokes ou Artic Monkeys. Independentemente de ser fã ou não, não dá para negar que os caras trouxeram novos ares para a música dos anos 2000. Agora, será que o look e o som que elas fazem é tão novo assim? Nem tanto… se você pensar que a inspiração delas vem de um pessoal que pensou nisso há quase 50 anos – gente como os Beatles, Rolling Stones e outros grupos dos anos 1960. Ou seja: os tiozinhos continuam tão inovadores que continuam sendo influência para a garotada, mesmo depois de muitas pedras rolarem.
Falando ainda sobre música, a lista é infindável. Ozzy Osbourne, figuraça do Black Sabbath, foi “redescoberto” pela galera por meio de um reality show da MTV, The Osbournes, que mostrava o dia-a-dia de sua família peculiar. Muita gente de 14, 15 anos que nunca tinha ouvido falar nele adorou seus trejeitos, esquecimentos e acabou fuçando na net para saber mais sobre a banda. De repente, Ozzy voltou a ser uma celebridade entre meninos e meninas que poderiam ser seus netos.
Pelo jeito, os tiozinhos do rock agradam mesmo. Por meio de uma pesquisa informal, descobrimos quem ainda faz a cabeça da galera aqui em São Paulo: os mais citados foram Marcelo Falcão, vocalista d´O Rappa, e Mano Brown, dos Racionais MCs. Mesmo com tantas caras novas despontando por aí, adolescentes e jovens entre 17 e 20 anos querem mesmo é ouvir o que os caras das antigas têm a dizer. Pelo jeito, as letras politizadas e o tom de denúncia nunca saem de moda. “É legal, porque eles têm uma experiência maior. Enquanto isso nos preocupemos mais em viver a adolescência e juventude”, afirma o paulistano Luciano de Sálua, de 18 anos.
Os artistas não estão sozinhos na admiração da galera. Tem muita gente de outras áreas, como apresentadores, escritores, políticos e até médicos, que, sem querer, despertam simpatia e chamam a atenção dos jovens, vendo neles exemplos a serem seguidos, seja por afinidades políticas, ideológicas, ou simplesmente por não deixarem os anos minarem sua capacidade de dialogar com os jovens. Algumas dessas personalidades, provavelmente, influenciaram até mesmo seus pais e avós.
Estudante de Administração, Jessika Ferndanda Rodrigues, de 19 anos, diz que “eles influenciam de forma positiva, não manipulando os jovens a fazerem coisas erradas”. A jovem chegou até a citar o Jô Soares como alguém gabaritado para falar com os adolescentes de forma positiva.
Fala, garoto!
Uma das figuras mais emblemáticas é Serginho Groisman, de 53 anos, apresentador do Altas Horas, da TV Globo e o primeiro a conduzir um programa voltado especialmente para adolescentes. Serginho impulsionou sua carreira com o programa Matéria Prima, na TV Cultura. Em 1991, o apresentador foi para o SBT e passou a apresentar o Programa Livre. O formato surpreendia, já que Serginho estimulava que a plateia não fosse mera espectadora e participasse ativamente, fazendo perguntas para o entrevistado. Seu bordão “Fala, garoto, fala garota”, ficou famoso. Serginho continua sendo uma referência quando o assunto é programa de televisão para jovens. Atualmente, além do Altas Horas, Serginho apresenta também o Ação e entrevista personalidades em um programa no Canal Futura.
Com uma pegada mais política, Soninha Francine, de 43 anos, ex-subprefeita da região da Lapa, em São Paulo (SP), é outra referência quando se fala em juventude.
Mas Soninha não escolheu esse caminho – segundo ela, “as coisas foram acontecendo”. “Eu era professora de Inglês e me dava bem com os alunos, conversava bastante. Daí, surgiu a oportunidade de fazer um teste para a MTV. Eu estava precisando de grana, fui lá e fiz”. E assim começou sua longa trajetória de luta pela juventude. Quando sentiu que era hora de entrar mais fortemente para a política, os fãs adolescentes, que àquela altura já tinham crescido mais um pouquinho, foram os primeiros a apoiar sua candidatura como vereadora, em 2004, e como candidata à prefeita de São Paulo, em 2008.
“Acho um absurdo quando alguém me diz que ter indignação e idealismo são coisas de jovens. Por mais que eu tenha crescido, não perdi isso. A identificação que os jovens têm comigo é a forma que tenho de ver o mundo”, acredita ela, que também tem seus ídolos, como o cartunista Henfil, o educador Paulo Freire e o jornalista econômico Aloysio Biondi. Corajosa e fiel às suas causas, recentemente Soninha aprontou mais uma: posou nua para uma campanha pelo uso das bicicletas.
Outros apresentadores da MTV também se firmaram como referências. É o caso de Penélope Nova, a ruiva tatuada e desbocada que já apresentou um programa em que tirava dúvidas sobre sexo, sempre de forma bem-humorada. Hoje com 36 anos, Penélope é filha de outro “marmanjo” querido, o músico Marcelo Nova, que fez muito sucesso nas décadas de 1980. A fama da VJ está por conta de suas inúmeras tatuagens e piercings.
Assim como a colega Penélope, foi tirando dúvidas sobre sexo, mas de forma menos brincalhona, que o médico Jairo Bouer se tornou conhecido e respeitado nacionalmente entre os adolecas e pelos não tão jovens também. Seu site (http://doutorjairo.uol.com.br) recebe diariamente perguntas de todos os cantos do país. Especialista no assunto, o doutor Jairo é referência nos bate-papos dos jovens quando o assunto é sexualidade. E dúvidas não faltam. Jairo tem programa na TV e no rádio, coluna em jornal e já publicou cinco livros na temática comportamento juvenil.
E quem não cultiva um carinho especial por Maurício de Sousa, o “pai” da Turma da Mônica? Criada em 1959, a turminha conquistou gerações de crianças e adolescentes. Na infância, Maurício já tinha paixão por quadrinhos, como Mandrake, e arriscava seus primeiros traços. Sua carreira, no entanto, começou de uma forma inusitada, como repórter policial. Foi nessa experiência profissional que o cartunista viu a oportunidade de mostrar a que veio. Foi aí que surgiu Bidu, o cachorro azul do Franjinha, publicado em tirinhas no jornal Folha da Manhã. Do Bidu para as centenas de outros personagens foi um pulo, ganhando notoriedade nacional e internacional com o público infantil.
Esse público cresceu, e Maurício, para acompanhá-los, lançou em 2008 a Turma da Mônica Jovem, em formato mangá, de olho nos adolescentes.
E ele não descarta nem a possibilidade de “conversar” com pessoas ainda mais “maduras”.
“Estão sugerindo que a gente fale com a Turma da Mônica “terceira idade” (risos). O que não é impossível… Antigamente, uma pessoa de 40, 50 anos era velha, hoje uma pessoa de 70, 80 anos não quer ser e não é velha. Modéstia à parte, eu tô aqui trabalhando e não quero me aposentar, isso com 74 anos”, enfatiza o desenhista. Se a ideia vai virar, ainda é cedo para dizer, mas ele adianta que não imagina uma Magali ou um Cebolinha andando por aí de xales e bengalas, e sim de trazer os avós dos personagens para as histórias com mais frequência.
Vale lembrar que todo mundo conhece algum “tio” que sai junto, fala besteira e que “nem parece que é velho”. São educadores, amigos dos irmãos ou vizinhos que conservam aquele ar de quem continua levando a vida não tão a sério, mas que também tem a maturidade para puxar a orelha e dar conselhos quando é preciso.
Escrito por admin em 24 maio, 2010 dentro Destaque, Matéria.



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