Os Y Man
Uma nova geração de jovens quer ser feliz do seu jeito
E lá vem alguém para botar rótulo em você, meu filho. Agora (na verdade, há algum tempo), faz parte da geração Y. Mas o que será isso, um X Man com energético? Vão te nascer garras ou vai ficar verde? Não, é muito melhor que isso. Pesquisas comprovaram o que você e seus amigos já sabem: há algo por trás da cara de distraído, da conversa tipo “não tô aí com nada” e da postura de malandrão.
A geração Y é composta basicamente por indivíduos nascidos no fim dos anos 70. Ufa, escaparam da calça boca de sino! Nasceram com pais mais relaxados e com saco cheio de tantas regras, vindas da sociedade ou de famílias tradicionais. Aliás, a família de um Y geralmente não tem o formato papai, mamãe e filhinho. Pais separados, às vezes nem casados, são a origem do Y Man. Assim, o jovem ganhou mais espaço e liberdade. Muita proteção também, até demais, para compensar a falta de uma família certinha ou dos pais, que estavam trabalhando.
O que restou pra você, Y? Foi criado pela babá eletrônica, a TV, e falou ao telefone antes de dizer papai. Essa geração pensa através da tecnologia. Isso é um terremoto no sistema de raciocínio tradicional: do linear, você é icônico e multitarefa. Traduzindo: faz várias coisas ao mesmo tempo, precisa de rapidez e novidade e nem sempre se importa com profundidade. Navega em vez de mergulhar nas coisas que faz.
Chamam o cara ou a mina Y de individualista. Que pensa muito na sua realização pessoal e profissional e esquece o resto da sociedade. Isso cheira a consequência, não responsabilidade dessa nova galera. Após a supremacia de uma economia liberal e uma vida estimulada ao consumo, parece normal que jovens queiram se dar bem sem pensar muito nos outros. O “pegar em armas” a là Che Guevara fica algo bonito, mas distante da realidade de entrar no vestibular, pagar contas e arranjar um trampo. Não dá tempo, não há espaço. Além disso, a vida da geração Y geralmente é muito boa.“Pra que mudar o sistema se eu arranjo um jeitinho de me dar bem nele?
Aliás, por falar em trampo, a geração Y tem formiga na cueca: não fica muito tempo num mesmo trabalho. Rejeita hierarquias e cai fora quando não tem mais nada a aprender. Efetivamente, a nova economia tem cada vez menos empregos formais com carteira assinada. Então, é legal ser ambicioso por algo melhor. O problema que o Y quer ser reconhecido tão rápido que nem sempre dá tempo ao tempo. Sentar na janelinha, sabe? A ansiedade de evoluir e a sensação de que já sabe tudo pode lhe gerar problemas.
Com tanta informação na cabeça, uma confiança enorme em si e um ambiente estável (afinal, você nasceu num mundo sem guerras mundiais, crises econômicas assoladoras ou educação repressora), o Y não entende porque algumas coisas ainda vão mal. Seu senso de justiça social e felicidade pessoal é tão grande que chega a ser exemplar. Ou infantil. Por isso, tem muita dificuldade para se encaixar em sistemas tradicionais como escolas, empresas quadradas ou regras no geral. Com o tempo, vai entendendo como funciona as gerações e o mundo que já existia antes dele, ou melhor, vai criando outro, mais flexível, menos hierarquizado, mais comunicativo.
Um exemplo é a pesquisa que o Ibope Mídia fez, dizendo que 1/3 dos jovens entre 10 e 17 anos preferem conversar pela internet a encontros reais. Para seus pais, isso pode ser a prova final de que você definitivamente não é normal. Mas as redes sociais e o acesso irrestrito à informação são uma mudança de paradigma. E por isso, se você é X, Y ou Z é seu direito. Só se ligue em ponderar o individualismo, tentar se dar bem com mais calma e, se quer mudar o planeta, busque trabalhar em equipe. Senão suas ideias vão servir apenas num scrap de um blog qualquer.
Texto: Edson Capoano
Escrito por admin em 3 março, 2010 dentro Destaque, Matéria.



Ellcon Guedes
15 de março de 2010 às 19:02
Gostei muito da matéria tenho 19 anos e me vi em alguns trechos da matéria, apesar de não ter o perfil mais parecido com a maioria das pessoas da minha idade.
Com certeza prefiro encontros carnais do que encontros virtuais, mas tenho que dar o braço a torcer, sou muito ancioso, não tenho paciência para coisas demoradas.Sou muito imediatista, e acho que já sei o bastante para estar ou ser coisas que almejo.
Até tenho a conciência de que o processo para determinada coisa é muito mais importante do que o resultado. Mas na prática não é fácil.Nossa sociedade atual cobra resultados e se você não os apresenta, PRÓXIMO!
revista young
18 de março de 2010 às 19:13
Olá Ellcon, obrigada pelo comentário. Acho que não é preciso ser 100% igual a descrição para fazer parte dessa geração, mas como você mesmo disse ter algumas das características já o enquadra dentro do perfil. Mas cada tem sua personalidade e diferenças e isso é o mais interessante, né?
Continue lendo a Young, queremos saber sua opinião e nos escreva sobre o que gostaria de ver nas próximas edições.
Obrigada,
Abs,
Redação Young